Entrevista: Agnela
Naturais de Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, as meninas da banda Agnela são uma das mais novas atrações do Pop/Rock nacional. O grupo ficou em evidência depois de vencer o concurso "Olha a Minha Banda", realizado pelo programa "Caldeirão do Huck", da Rede Globo.
Desde então, Deia (vocal), Nat (guitarra), Beta (guitarra), Millah (baixo) e Loma (bateria) tiveram suas vidas colocadas de pernas para o ar e conquistaram o sucesso: Música na trilha sonora da série Malhação, execuções em rádios FM de todo o país e o lançamento do álbum de estréia Podia Ser.
Aproveitando o sucesso das meninas da Agnela, o Vaga-lume conversou com a vocalista Deia sobre um pouco de tudo: carreira, composições, shows e mais!
Conte para a gente como foi que vocês se conheceram e formamram a banda.
A Nat que é a guitarrista quis formar uma banda com a Millah e Paloma. Elas conheceram a Loma pela Internet e ela era baterista e tal. A Nat estudava com a Beta na época e a convidou para ser guitarra também.
Na época, a Nat cantava e tocava guitarra, a Beta era guitarra base, a Millah tocava baixo e a Loma batera. Quando a Loma me conheceu, eu não sabia nem cantar e só tocava guitarra.
Aí, eu conheci as meninas pela internet e elas me convidaram para um ensaio, só para ver. Mas, acabou que elas se encataram e eu fiquei na banda.
Vocês todas gostam das mesmas bandas? Ou rola uma mistura de influências entre as integrantes?
Cada uma da banda tem uma influência diferente. Uma mistura toda que deu a Agnela.
Por exemplo, a Beta é pouco mais alternativa. Ela gosta de Muse, Audioslave. A Millah gosta de todo mundo que já morreu: Cazuza, ela era louca pelo Michael Jackson e Renato Russo. A Nat é bem rock ‘n roll e gosta de Iron Maiden. A Loma curti muito Pop, como Nickelback e também gosta de MPB. Já eu sou mais romântica, gosto de coisas bem antigas. Ah, e também de Colbie Caillat.
Falando agora de suas músicas, você é a principal compositora da banda. Onde você busca inspiração para escrever suas músicas.
Eu só consigo compor minhas músicas de madrugada. Tem um horário. Eu não consigo escrever de manhã, de tarde ou de noite. Tem que ser de madrugada. Passou de meia noite, já está na hora de compor.
E geralmente é quando estou com alguma coisa guardada, uma raiva, um sentimento. É de onde vem, sabe? Ou de alguma situação engraçada que eu tenha passado... qualquer situação da minha vida que tenha me marcado, de certa forma, eu faço questão de gravar em música.
Uma música sai em duas horas. Falam: “Pô, como? Impossível”. Mas, a minha música sai em um dia no máximo, estourando.
Das músicas que você escreveu, qual você tem mais carinho?
Alguém Que Sou porque fiz para minha mãe. Nós temos uma relação muito doida, às vezes a gente está bem, às vezes a gente está mal.
E ela não entendia muito bem o lance de eu trabalhar com a banda porque não é um trabalho fixo, de carteira assinada e não dá uma segurança.
Porque na realidade, Alguém Que Sou é uma música traduzida. Na verdade, ela foi escrita em inglês, mas eu nem havia feito para a minha mãe a primeira versão. Aí, a gravadora disse que a música era muito boa para botar no CD, mas não colocar em inglês e sim em português.
Aí fiz uma versão em português, para a minha a mãe. Ela fica todo orgulhosa porque a música é para ela. Mas, eu disse: “Mãe, essa música é uma bronca! Você não pode ficar orgulhosa” (risos).
Vamos mudar de assunto: palcos. Qual a importância das apresentações no programa Caldeirão do Huck para vocês?
A importância é toda. O Caldeirão mudou a nossa vida, nosso estilo de vida, mudou tudo. É como se a gente tivesse ganhado na loteria.
Nos shows vocês costumam tocar covers. Quais vocês costumam tocar? Vocês pretendem tocar alguma novidade nos próximos shows?
A gente gosta de fazer umas versões da Amy Winehouse. Estamos com um projeto que é pegar essas músicas que estão bombando e fazer uma versão rock.
A gente sempre toca Pitty também porque ela é nossa musa.
Temos uma cover nova, aquela Man! I Feel Like A Woman! da Shania Twain.
Vocês já enfrentaram algum tipo de preconceito durante a carreira por ser uma banda formada exclusivamente por meninas?
A gente enfrenta até hoje. Risada, deboche, coisa que é bem comum. Falta de respeito. Isso geralmente acontece mais com os homens.
Uma vez a gente chegou em um evento, aí o responsável perguntou “Vocês tocam o que?”. A gente disse “Pop/Rock”. Aí chegou para a Nat e falou: “Você toca o que na banda?”. Ela disse: “Eu sou guitarra solo”. Ele deu uma risada, sabe? E hoje em dia o cara contrata os nossos shows.
Ou seja, é triste. É como se mulher não pudesse tocar guitarra, baixo...
Esses sintomas de preconceito são muito normais, seja pelo contrante, fã, amigo e até mesmo família. A primeira coisa que a minha mãe falou foi: “Déia, isso é coisa de menino”. Eu disse: “Mãe, que coisa mais idiota de se falar. Tocar é coisa só de menino? Desde quando...”.
Vocês já passaram por algum mico durante a carreira?
Tem um da Millah. Ela estava toda boba tocando e todo mundo gritando o nome dela. Aí ela subiu na frente do palco e o pessoal começou a puxá-la. Ela começou a gritar por socorro e estava quase caindo! E é normal quase cair do palco. Eu estou vendo o dia que eu vou cair... (risos).
Outro dia a Loma perdeu o banco da bateria. Ela ficou tocando meio que sentada, só que sem cadeira. Imagina!
Mas, não tem um show nosso que dê tudo certo. O som, a iluminação... tem que dar alguma coisa errada senão não é o nosso show.
Existe uma cantora ou banda feminina que vocês se espelham ou admiram bastante?
A gente gosta muito do Paramore. Eu curto a Colbie Caillat, sou muito fã.
Mande um recado para os seus fãs do Vaga-lume!
O Vaga-lume é quase que uma regra pra gente. Sempre que a gente vai procurar letra, vamos direto no Vaga-lume. Então, queria dizer para a galera que todos procurem no lugar certo, que é o Vaga-lume, nossas letras vão estar lá.
E nossos fãs podem entrar em contato com a gente para o que precisarem, a gente está sempre pertinho deles. E que eles sigam os seus sonhos, não deixem ninguém atrapalhar. Com humildade e honestidade.






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