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Entrevista: Fresno


Vaga-lume - 06 de Junho 2007

"Eu vejo o mp3 como uma forma de divulgação, como um single para a rádio", Lucas Silveira

Há algum tempo o Fresno é uma aposta grande quando se discutem quais bandas tem potencial de estourar comercialmente no Brasil. Motivos para isso não faltam: um som que definitivamente está em alta, uma forte presença no cenário underground e independente, discos com boas vendas mesmo que lançados por pequenos selos e o apoio da MTV.

Divulgação
Fresno letras
Fresno
Agora o momento da banda parece estar chegando. Após anos na independência, o Fresno assinou com uma grande gravadora além de estarem no cd/dvd "MTV Apresenta 5 bandas de rock" que fortalece a idéia de uma nova cena se consolidando no nosso cenário pop. Claro que cada uma das bandas traz a sua particularidade, seja o indie rock a la Strokes do Moptop, o hardcore melódico mais tradicional dos já veteranos Hateen , ou o som mais melancólico do Fresno (Forfun e NX Zero completam a escalação).

Fomos atrás de Lucas Silveira, que falou mais sobre esse projeto e também respondeu se ainda acha que a sua banda faz "hardcore emotivo" como eles mesmos se definiram quando mandaram uma música para concorrer no nosso concurso de "Novos Talentos" e sobre como vai ser o futuro do grupo agora em uma gravadora grande.

 Entrevista

Vamos falar do DVD com as 5 bandas que acabou de sair. Como rolou o convite? Vocês já eram amigos das outras bandas?


Há alguns anos a gente já divide o palco com o Forfun e o NX Zero, tanto em festivais quanto em shows menores. A gente até ficou sabendo do DVD antes de sermos convidados e a princípio a gente nem sabia que também estava na parada. Nós começamos a nos informar e aí soubemos que também estaríamos no projeto. A iniciativa partiu da MTV mesmo junto com a Universal e o (produtor) Rick Bonadio.



Seria o caso de dizer que vocês todos fazem parte de uma mesma cena?


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Fresno letras
Tavares e Cuper

Sim, com certeza, já que são bandas que estão sempre tocando juntas. O Hateen faz parte dela há mais tempo ainda e com o Moptop nós já tínhamos feito pelo menos uns cinco shows ao lado deles. Seriam essas bandas que fazem parte de um cenário independente que hoje já nem é tão independente assim.



Vocês participaram do concurso de novos talentos do Vaga-lume e se definiram como uma banda de "hardcore emotivo". Hoje em dia vocês ainda usariam esse termo? Como lidam com o fato da palavra "emo" ter virado quase que um palavrão?


Eu acho que a palavra “emotiva” hoje está com uma conotação diferente que nem é legal. Na época esse termo era só um rótulo e hoje virou uma coisa maior envolvendo comportamento e outras coisas com as quais às vezes nem participamos ou concordamos. Mas o hardcore também é assim, as bandas com o tempo vão largando o som inicial e fazendo coisas de apelo mais universal e não só para o público do estilo.



As canções mais recentes de vocês mostram que novos elementos estão aparecendo, como os instrumentos eletrônicos. Vocês pretendem ir mais para esse lado na busca de um som mais diferente (um pouco como fizeram outras bandas consideradas "emo" como o My Chemical Romance)?


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Fresno letras
Vavo

É um caminho natural, até tem músicas nossas com uma veia completamente rock. A gente sempre flertou com outros estilos, mas sempre mantendo uma temática e um instrumental parecido. Mas desde o começo a gente nunca se prendeu ao hardcore e às músicas mais aceleradas.



Vocês surgiram em Porto Alegre e são de uma leva posterior ao que se convencionou chamar de "rock gaúcho" por aqui (Bidê ou balde, Video Hits e Cachorro Grande). Vocês ouviam ou eram amigos desse pessoal? Em alguma coisa eles influenciaram vocês?


A gente teve contato com essa galera sim, mas eles estavam estourando quando estávamos começando. Em 99/2000 a gente ainda estava tocando no colégio. Influência mesmo no nosso som acho que não teve, apesar de serem bandas que a gente gosta.



O Rio Grande do Sul é famoso por ser um mercado "auto-suficiente" com várias bandas


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Cuper

Na verdade a desde o começo a gente saiu de Porto Alegre para tocar. Nós nunca ficamos esperando algo acontecer por lá. Tocamos muito no underground desde quando começamos a fazer as nossas próprias músicas. Sempre que as oportunidades surgiam nós fazíamos pequenos shows em diversas cidades do Brasil, às vezes sem ganhar dinheiro algum. Hoje em dia nós temos um bom público no Rio Grande do Sul, mas rola mais uma identificação por sermos de lá e não por fazermos um som tipicamente gaúcho.



O Fresno também está numa leva de bandas que se beneficiou quase que só da Internet para aparecer e divulgar-se (mesmo o Bidê ou Balde teve o apoio da imprensa escrita). Queria que vocês falassem um pouco sobre isso. Existem algumas dicas que vocês podem dar para as bandas mais novas sobre como usar bem a rede?


Com certeza, principalmente no começo quando a gente só tinha a Internet para divulgar o nosso trabalho. Hoje em dia a coisa complicou mais porque divulgar a sua banda só pela Internet não é mais uma idéia genial. Mesmo porque o mercado independente está com muitas bandas surgindo a todo minuto. Então hoje em dia eu realmente não tenho idéia de como fazer para atingir um público maior através da rede. Mas é bom lembrar que ao lado da Internet a gente sempre trabalhou muito no mundo real, fazendo shows, entrando em furadas... A Internet só serve para dissiminar um público que já existe. Não dá pra construir uma coisa só pela rede.



Agora vocês estão assinando com a Universal. O que mais pesou nessa decisão de largar a independência?


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Fresno

Sim, nós assinamos contrato para gravar o próximo disco e vamos começar no meio do ano. Foi um acordo que surgiu depois da gravação do dvd inclusive. Antes da gravação nós não tínhamos contrato com ninguém. A gente sempre teve vontade de crescer mais e mais. Agora é a hora de aparecer em outros lugares para atingir uma gente nova. E uma gravadora possibilita isso, porque ela tem acesso a coisas que a gente nunca vai ter (por conta própria) como às rádios por exemplo. Então eles chegaram para somar. É uma parceria que estamos fazendo e que chegou na hora certa, pois já conquistamos tudo o que podíamos dentro do cenário independente.



Vocês dividem a mesma casa. Como é essa coisa de passar praticamente o dia todo com os mesmos caras? Surgem aquelas brigas de convívio ou está tudo sempre bem por aí?


Rola claro, mas a gente tem uma convivência muito boa e todo mundo tem a cabeça no lugar. Se um está mal-humorado ele sai e vai dar uma volta. A gente procura não ter atritos. A convivência está sendo boa e sempre encaramos isso como uma fase. É inviável morar junto com colega de trabalho pro resto da vida. A gente não teria como morar sozinho nesse momento então estamos juntos e ensaiamos na casa, o que está sendo bom para o processo de composição das músicas para o próximo disco.



Você também tem o Beeshop (confira em www.myspace.com/lucasfresnosongs),um projeto paralelo, com uma pegada mais pro indie rock e em inglês. Pode falar um pouco desse trabalho?


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Tavares

Sim, quando tenho um tempo livre e uma idéia para uma música eu vou lá e gravo. Como ali não tem uma banda para conciliar as idéias eu posso fazer o som que eu quiser e o resultado acaba mais indie do que o som do Fresno.



E nada feito dessa forma acaba no Fresno?


Eu procuro separar bem as coisas. Sempre tive vários projetos e colocava algumas coisas pro Fresno que sempre foi o projeto principal. Mas agora eu procuro não misturar muito e tenho conseguido.



Existem planos de lançar essas músicas de uma forma mais profissional. Ou mesmo alguns shows solo?


Eu não tenho muita pretensão não. Só deixo no my space(www.myspace.com/lucasfresnosongs)para quem quiser ouvir e as respostas têm sido boas. Quantos aos shows, eu nunca fiz. Até tenho a idéia de pegar uma semana livre e fazer uns showzinhos com essas músicas, mesmo porque já tem um pessoal que gosta delas tanto os fãs de Fresno como uma outra galera. Mas é algo para o
qual eu não me apresso.



Que bandas vocês estão ouvindo atualmente. Vocês costumam baixar músicas ou ir atrás de novidades?


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Lucas

Falando por mim eu tenho ouvido bastante o Keane e eles estão nos influenciando bastante até. O show deles foi muito bom, o melhor que vi esse ano com certeza. Quanto a baixar músicas e conhecer bandas eu baixo bastante sim, mas não com muita paranóia. Eu quando gosto de uma banda baixo o cd inteiro e se gosto compro o disco. Eu vejo o mp3 como uma forma de divulgação, como um single para a rádio.



Para encerrar queria que você falasse um pouco sobre "Alguém que te faz sorrir" que é a música de vocês mais procurada pelos nossos usuários.


Desde que a gente lançou essa música ela teve uma aprovação muito grande. Ela tem aquela história da pessoa estar escrevendo para outra e sobre aquele esforço meio inútil de se fazer percebido por ela. A canção ilustra isso ainda que de uma forma meio confusa...

Eu também estava vendo que a nossa nova música, Polo (Insistir, Resistir, Desistir), está subindo bastante no site. Acho que logo logo ela vai ser a mais acessada. E esse resultado tem a ver com o fato dela estar vindo com uma divulgação que nenhuma música nossa teve até hoje.



Fresno letras